quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Abrindo a porta da memória

IN MEMORIAM 
Poema dedicado a meu irmão Antonino.



Informes amarelos repousam em arquivadores da memória
espalhados
abeirados por uma inumação de crisântemos
que partem
enquanto aparecem estalagmites nas meninas
nada fugidias
nada temporárias
Insistentes
atravessam o onirismo da noite
confluem na interpretação lacrimal
invasora, no ocaso
O silêncio neste caso, semelha uma constante
a cordilheira anelada
a expectativa capaz de lograr o equilíbrio

Não obstante
os pombos esquizoides olham desde a repisa da janela
inermes, espreitantes
Digitalis purpurea invadem a coluna vertebral
vestem-na de trepidas heras
que deambulam pelos prados da infância
As moscas, esse complemento aborrecido do verão
que pousam na cara, nas orelhas
Ah as odiosas!
Adormecem na incredulidade
e aguardam a manifesta declaração dos exaustos

que cruzam as estelas tristes dos ausentes


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Accésit no Certame de Poesia: 20 Anos Casa Museo Diego de Giráldez


Na imagem com Diego de Giráldez.
O 10 de agosto de 2019 foi a entrega de prémios do Certame de Poesia "20 ANOS CASA MUSEO DIEGO DE GIRÁLDEZ. Fiquei muito contente de receber um accésit pelo meu poema "Uma mulher" Dedicado à obra do genial pintor "Sentada na montanha".


terça-feira, 30 de abril de 2019

O sábado Passado em Arte Lixo

Deixo aqui estes versos escritos no transcurso desse ato.


Lixo, refugalho, merda
O mar sofre insuficiência respiratória
Languesce
preso nos plásticos:
angazos, adagas do capitalismo

Mar
placar das varadas almas
que vagam nos envoltórios assassinos

A água é de plástico
de plástico é o ar
As asfixiadas sereias choram
neste sepélio de naturas mortas

sábado, 22 de dezembro de 2018

Conto de Natal


Diz-me: _ quero-te; feliz Natal!
E a minha mirada perde-se no horizonte. Atravessa a excelsa luminária da cidade. Inúmeros sáurios vagam entre lâmpadas de cores, povoam as frias ruas de dezembro. Observam a celeridade das pessoas entrando e saindo dos centros comerciais. Entretanto, na banda escura, na invisibilidade, as bágoas decorrem os pómulos dos que dormem ao rocio, entre paredes rotas, descalços…
A iluminação cega-nos, prostra-nos nas aras duma urbe fictícia, vazia.
E tu, diz-me: _ quero-te, feliz Natal!
E eu abraço-te, contenho as lágrimas e respondo:

_ Sim, quero-te; feliz Natal!