quinta-feira, 18 de junho de 2015

A noite espida





silenciosa

baixo a ténue luz de vagalumes

funambulistas

Dorme nos sulcos das pegadas

atrapada no vermelho dos semáforos

enredada na noturna sinfonia

segunda-feira, 16 de março de 2015

Choutas nos espaços

Choutas nos espaços, onde a areia cobre a face de chumbo Dormes nas rochas inimagináveis de anteontem dum país derrubado, coutado polo desastre e o pensamento adiciona um excesso de cansaço Imperfeito estado, inabilidade automata O café tem um sabor demasiado amargo A colher joga frenética no líquido marrom coma se qualquer coisa

sábado, 20 de dezembro de 2014

Retenho-a nos olhos selados


A auga alaga a raizame das árvores
as galhas semelham tortuosos labirintos
que medram

E eu em baixo
tão pequena
Doe-me o pescoço de mirar para o alto

Aperto a imagem na retina
retenho-a nos olhos selados


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A mulher da flor

Fragmento da obra "A mulher da flor" de Diego de Giráldez
A flor prende no cabelo lácio
escuro
luze arrodeando a longa melena
com uma cinta estreita
A hábil pincelada atrapa a aura
da margarida
e a teia
apenas cobre o equilíbrio da mama
Aparte disso
comove o olhar triste
baixo as pálpebras
O raizame estende-se no bosquejo
e medro numa pose tímida
Semelho uma pokahontas
apreixada nos matizes terra
do silêncio

Este poema pertence ao conjunto de poemas "O sonho da modelo"