quarta-feira, 1 de outubro de 2014
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
A mulher da flor
![]() |
| Fragmento da obra "A mulher da flor" de Diego de Giráldez |
A
flor prende no cabelo lácio
escuro
luze
arrodeando a longa melena
com
uma cinta estreita
A
hábil pincelada atrapa a aura
da
margarida
e a
teia
apenas
cobre o equilíbrio da mama
Aparte
disso
comove
o olhar triste
baixo
as pálpebras
O
raizame estende-se no bosquejo
e
medro numa pose tímida
Semelho
uma pokahontas
apreixada
nos matizes terra
do
silêncio
Este poema pertence ao conjunto de poemas "O sonho da modelo"
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
NUA
| Fragmento da obra de Diego de Giráldez |
As
raiolas dum sol imenso
atravessam
o entrelaçado tecido
do
chapéu azul
xurdem
intensas
aparecem
onde
o meu corpo nu, em supino
fica
dormido
e
aquecem linhas nas paragens inóspitas
na
pele
Sou
uma mulher abstraída
internada
na dualidade
imantada
no âmbito fusco, melancólico
Manifesta
no contundente traço
na
simetria perfeita co cosmos
Poema que pertence ao poemário O sonho da modelo
quinta-feira, 29 de maio de 2014
1º premio no II Certame de Poesía "Manuel María"
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que me perdo entre as memorias
Adoito mirar cara o bosque
e transfórmome nunha amoria
con sinais de peteiradas nas coxas
Cerro os ollos e ouzo, coma nun soño
o son dun peto entre os carballos
A Casa de Galicia en Gipuzkoa
Poema pertencente ao conxunto de poemas " O lánguido ocaso dunha dalia"
gañador do II Certame de Poesía en Lingua Galega "Manuel María".
Convocado por A Casa de Galicia en Gipuzkoa, 24 de maio-2014
domingo, 4 de maio de 2014
Roteiros dum corpo (de "Espelho de mim mesma)
![]() |
| Uma das obras de Luís Viñas para o livro "Espelho de mim mesma" |
Um sonho fica acovilhado, aleuto
tenro
Já
não lhe interessa morar na sombra
está
prendido entre a
pinça rosa do meu pelo
e
os teus olhos
Brama
coma o brusco ar
que
bate na
surpreendida janela
Pega
nos ouvidos com
fúria
e
xordem desejos
dormidos
ocultos
trás a penumbra
Plasmam
rotas de
acessibilidade
cara
a contorna acesa
interlinhadas
beirarrúas
abraçam-nos
espetam
os nossos
corpos
nas
imensas
paredes
nos
verticais perpianhos
dos
húmidos edifícios de
janeiro
Coma
tatuadas sombras numa
noite
na
que todo semelha
possível
Enriba
dos
ombreiros
uma
predição traça-nos linhas
impercetíveis
abstratos
grafites
abrem
a luz na deserta avenida
que só é
visível para nós
A
lua acaricia o
lácio cabelo
escuro
Levemente
eletrificam-se
os valados que nos habitam
e
espertam borboletas nos
nossos
lábios
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Sol de África
Poema publicado na Revista Elipse Nº1
O sol de África, redondo, amarelo
deitado
nos relevos geométricos
dum djembe que soa ao amencer
tam tam tam tam
A
realidade cria sons de madeira
enchoupados na auga dum rio
que às
vezes também chora
Os fechados
olhos internam-se
na
raizame da erva, na terra
nos
pés em coiro que caminham
baixo
nuvens grises de incerteza
A
rota atravessa as árvores robustas
num encadeamento que semelha não ter fim
As
vozes de África
vêm envolvidas no tam tam do vento
Refletem
laios doutra hora
e desta
O liberado
ritmo
acada eco entre
os dedos
debuxa bágoas
na
face chocolate duma rapariga
infibulada
voa
polo celeste céu de África
na
tensa pele, folgam as notas duma melodia
duma oração
Uma
mãe face de chocolate
intenta
amamentar ao seu meninho
com
o calostro que deita das suas mamas
murchas
caídas
de
fome
Sol
de África
África
negra
África
nossa!
Tam tam tam
tam tam tam
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