quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A mulher da flor

Fragmento da obra "A mulher da flor" de Diego de Giráldez
A flor prende no cabelo lácio
escuro
luze arrodeando a longa melena
com uma cinta estreita
A hábil pincelada atrapa a aura
da margarida
e a teia
apenas cobre o equilíbrio da mama
Aparte disso
comove o olhar triste
baixo as pálpebras
O raizame estende-se no bosquejo
e medro numa pose tímida
Semelho uma pokahontas
apreixada nos matizes terra
do silêncio

Este poema pertence ao conjunto de poemas "O sonho da modelo"

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

NUA

Fragmento da obra de Diego de Giráldez

As raiolas dum sol imenso
atravessam o entrelaçado tecido
do chapéu azul
xurdem intensas
aparecem
onde o meu corpo nu, em supino
fica dormido
e aquecem linhas nas paragens inóspitas
na pele
Sou uma mulher abstraída
internada na dualidade
imantada no âmbito fusco, melancólico
Manifesta no contundente traço
na simetria perfeita co cosmos

Poema que pertence ao poemário O sonho da modelo

quinta-feira, 29 de maio de 2014

1º premio no II Certame de Poesía "Manuel María"


Ás veces, tamén é verdade
que me perdo entre as memorias
Adoito mirar cara o bosque
e transfórmome nunha amoria 
con sinais de peteiradas nas coxas
Cerro os ollos e ouzo, coma nun soño
o son dun peto entre os carballos


A Casa de Galicia en Gipuzkoa



Poema pertencente ao conxunto de poemas " O lánguido ocaso dunha dalia"
gañador do II Certame de Poesía en Lingua Galega "Manuel María".
 Convocado por A Casa de Galicia en Gipuzkoa, 24 de maio-2014

domingo, 4 de maio de 2014

Roteiros dum corpo (de "Espelho de mim mesma)

Uma das obras de Luís Viñas para o  livro "Espelho de mim mesma"























Um sonho fica acovilhado, aleuto
tenro
Já não lhe interessa morar na sombra
está prendido entre a pinça rosa do meu pelo
e os teus olhos
Brama coma o brusco ar
que bate na surpreendida janela
Pega nos ouvidos com fúria
e xordem desejos dormidos
ocultos trás a penumbra
Plasmam rotas de acessibilidade
cara a contorna acesa
interlinhadas beirarrúas
abraçam-nos
espetam os nossos corpos
nas imensas paredes
nos verticais perpianhos
dos húmidos edifícios de janeiro
Coma tatuadas sombras numa noite
na que todo semelha possível
Enriba dos ombreiros
uma predição traça-nos linhas impercetíveis
abstratos grafites
abrem a luz na deserta avenida
que só é visível para nós
A lua acaricia o lácio cabelo
escuro
Levemente
eletrificam-se os valados que nos habitam
e espertam borboletas nos nossos lábios

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sol de África


Poema publicado na Revista Elipse Nº1 


O sol de África,  redondo, amarelo
deitado nos relevos geométricos  
dum  djembe   que soa ao amencer
  tam tam tam tam
A realidade cria  sons  de madeira
enchoupados  na auga dum rio
que às vezes  também chora
Os fechados olhos  internam-se
na raizame da erva, na terra
nos pés em coiro que caminham
baixo nuvens  grises de incerteza
A rota atravessa  as árvores  robustas
num  encadeamento que semelha não ter  fim
As vozes de África  
vêm  envolvidas no tam tam  do vento
Refletem  laios doutra hora
e desta
O liberado ritmo
acada eco  entre  os dedos
debuxa  bágoas
na face chocolate duma rapariga
 infibulada
voa polo celeste céu de África
na tensa pele,  folgam as notas duma melodia
 duma oração
Uma mãe face de chocolate
intenta amamentar ao seu meninho
com o calostro que deita das suas mamas murchas
caídas
de fome
Sol de África
África negra
África nossa!

Tam   tam  tam  tam tam  tam

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

In memoriam

                                     
                                  
                                    
                               
                                   
                                   
                                                                               
                                                                       
                               
                                    








Una eternità la notte
Gelido pesante il giorno
Gelo scorre il fiume  venale e,
questa angoscia che  imprigiona
lo spirito   
non è finita
                            
                                    
Rimane sempre, eterna
Gli artigli della feroce morte fere
Con  ferocia  spaventosa
La ferita  ancora  non cicatrizza
Indubbiamente                                                                                                                                                                                  
Rimanere impassibile è un miracolo